quinta-feira, 14 de julho de 2011

Primavera em Julho nº 3



Queridos leitores!
Nosso Almanaque, em julho, continua florido.
Neste número, vamos inaugurar as postagens dos CONTOS COLETIVOS PRIMAVERA EM SAMPA, ano de 2010, escritos pelos associados da AEILIJ regional de São Paulo. Os trechos a seguir são de autoria de Marciano Vasques e Nilza Azzi.
Um grande abraço a todos,
Regina Sormani



I-
PRIMAVERA EM SAMPA - 2 - 2010
— Nas pernas dói mais!—dizia a mulher enquanto batia com a espada de São Jorge no menino. Os comentários percorreram a favela num impressionante feixe de vozes: “A comadre fulana de tal está batendo outra vez no menino Zica". À tarde se estendia muito além. Passava pelo "MC Favela", a casa de almoço, lanches e marmitex da Dona Preta, a mulher mais respeitada do lugar: uma loura que começou a vender comida caseira e lanches desde a morte do marido. Quem se atreveu a seguir aquela tarde ficou abismado com a sinceridade da primavera que feito trepadeira de sonhares, risos e prantos alagados e mastigados de meninas sem amparo, atingiu os paralelepípedos das ladeiras da Penha. Na escassez de flores grudou nas pessoas com tal insistência, que muitos até se esqueceram de suas dores. Entre pipas adornando os azuis, uma menina caminhou sem rumo e adentrou a tarde. Subiu a "Rua das Noivas", desceu a Padre Olivetanos, e vagou sem rumo, ornando com a sua passagem as ruas da Vila Esperança. Sem que alguém pudesse ter olhos de reparar, a pequena seguiu em frente, às vezes parava alguém e fazia perguntas desconexas, tipo: "Você sabe onde está a poesia?”, depois corria na gargalhada. Fez assim com um vendedor de churros. Uma menina é sempre uma menina. O ser mais puro, assim falou alguém. Mas a menina sobre a qual falamos tem alguns segredos. Sua idade? Poderíamos dar uns doze anos. Veja que ela está no metrô, em direção à cidade. Em pouco tempo vaga na plataforma da estação Anhangabaú. Segue um trecho da Xavier de Toledo e em poucos minutos está sentada na escada do Theatro Municipal...(Marciano Vasques).
Alguns sons escapavam pelos vãos dos vidros e das portas, pelas juntas rente ao piso. Eram algumas notas teimosas e rebeldes que não queriam esperar pelo dia da estreia. Dançaram ao redor daqueles doze anos com esperança de, quem sabe, achar a passagem de entrada até seu coração. Se conseguiram só o tempo irá dizer...
Embebida daqueles sonhos, um instante indecisa, toma a direção da Praça da Sé onde algumas espécies já florescem sem pedir licença e nem sabem dos olhares dos passantes, mas recebem um sorriso de meninas gentis. Naquele mundo, o colorido do sonho artificial toma conta de seus olhos. Por entre as barracas de camelôs e as árvores de cimento, indiferentes ao que cresce aos seus pés, segue na direção da 25 de Março.
Gruda os olhos nas vitrines, enche os ouvidos de gritos, perde-se na infinidade de apelos. Experimenta uma coisa aqui outra ali, mas logo é olhada com desconfiança.
— Vai levar?
Só então percebe que tem fome. (Nilza Azzi).



(continua no próximo número) Reg, BN

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Nilza Aparecida Hoehne Rigo nasceu em São Paulo, SP. Atualmente reside em Campinas. Assina seus trabalhos como Nilza Azzi. É graduada em Letras pela USP. Educadora, escritora e poeta participou de várias antologias da Editora Komedi e das antologias Universo Paulistano da Editora Andross, Quinze Poetas Para Todas as Crianças da Editora Novitas, Letras Letrinhas e Letronas da Editora Edicon e Balões Coloridos da Via literária Editora. Faz parte do quadro de associados da AEILIJ desde 2010. É membro da Academia Campineira de Letras e Artes, onde ocupa a cadeira de número trinta e dois, de João Gurgel Jr. Publicações recentes: Tempo-Será – 2008; Amigos do Sol e da Lua – 2009; Gato Pipoca – 2010; O banho da Terra – 2011. Contato com a autora:nilzaazzi@gmail.com




Autor de 27 livros, Marciano Vasques escreve crônicas em jornais, realiza oficinas para professores, e divulga poetas e escritores. Fundou a revista PALAVRA FIANDEIRA, e o blog “Casa Azul da Literatura”. Seu mais recente livro é “Contos de Éramos". Contato: marcianovasques@gmail.com


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II
Série - CIDADES


Aniversário de Agudos, um lugar para se viver.
Agudos, pequena e simpática cidade do interior do estado de São Paulo, a 320 km da capital, fica próxima de Bauru e Lençóis Paulista e completa 113 anos no dia 27 de julho.

O Bairro São Paulo dos Agudos foi elevado à categoria de freguesia em 1897 e pela lei 543, de 27 de julho de 1898 foi elevado à vila. Em dezembro de 1905, o nome da cidade foi simplificado para Agudos.
O jovem prefeito de Agudos tem 25 anos e chama-se Everton Octaviani. A cidade tem cerca de 35 mil habitantes, agradável clima serrano, matas, cachoeiras, destacando-se dia a dia no segmento do turismo ecológico. Quem visita Agudos se surpreende com a beleza das antigas fazendas de café e dos prédios históricos. A cidade é forte no turismo rural. Uma dica é conhecer a fazenda São Benedito fazenda HU, fazenda Serrana, ou fazer uma pescaria no pesqueiro Peixe Loko. Um destaque, sem dúvida, é o Seminário franciscano Santo Antônio, orgulho dos agudenses. A cidade é hospitaleira e possui  bons hotéis. O restaurante do Agudos Palace Hotel oferece refeições gostosas, a preço justo. Vale dar uma chegada no Quero Quero ou na Pizzaria Cheiro Verde como também experimentar as delícias do Paladar Pastel. Em Agudos, as empresas empregadoras são a Duratex e a Duraflora (madeira) e a Ambev (cerveja)
São cidadãos agudenses: o cantor lírico Carmo Barbosa, barítono de projeção internacional (veja e ouça no vídeo abaixo) e a escritora Regina Sormani. Carmo e Regina são primos, filhos das irmãs Hilda e Marina, da família Andreotti.
Parabéns, Agudos!

Brasão
Bandeira

Prefeitura
Prefeito


Seminário

Antiga estação Sorocabana

Cinema
AMBEV




Carmo Barbosa- barítono


(Matéria enviada por Thelma Travaini)


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III

História 

Rospo e a chuva


Rospo está na casa da amiga Sapabela quando a chuva começa.
— Vou fazer pipoca e assistir à televisão.
—Boa idéia, Bela!
—Que entusiasmo é esse, Rospo? E o seu compromisso? Pipoca e tevê só pra mim, que não tenho nada na agenda.
—Por acaso já olhou lá fora, amiga?
— Sim, está chovendo. E daí?
— Você quer que eu saia na chuva?
—Eu não. O seu compromisso é quem quer. Aproveito para ensinar uma coisa...
—Pronto. Filosofia em dia chuvoso.
—A chuva organiza o sucesso. Ela e o frio são os responsáveis e às vezes até determinam o êxito na vida de alguém.
—Clima e sucesso. Só você, Sapabela.
—Verdade! Alguém que não cumpre um compromisso por causa da chuva e adia uma decisão, não será vitorioso completo.
—Está bem. Mas, você não pode me dar pelo menos um pouco de pipoca?
—Aceita primeiro um guarda-chuva?

texto: Marciano Vasques
ilustração: Daniela Vasques


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IV

Trovas  e Trovadores


Esta seção pretende ser um veículo para a divulgação da arte  de fazer trovas e dos trovadores iniciantes. Define-se trova como um poema de quatro versos setessilábicos, com rima e sentido completo, contadas pelo som. O primeiro verso deverá rimar com o terceiro e o segundo deverá rimar com o quarto.  A ideia do criador da trova deve estar contida nesses quatro versos. A palavra trovismo foi criada pelo poeta J G de Araújo Jorge e o escritor Eno Teodoro Wanke publicou o livro TROVISMO, onde narra o desenrolar do movimento a partir de 1950. Em 1980, Clério José Borges criou o Clube dos Trovadores Capixabas. Em São Paulo, Domitilla Beltrame é a presidente estadual da União Brasileira dos Trovadores.

Trovas com o tema AMIZADE criadas por associados da AEILIJ


Leal,verdadeira, pura
Procurei nesses caminhos.
Da nossa literatura
Amizade, não espinhos.


autor: Marciano Vasques ( foto e dados acima em Primavera em Sampa2)




Quão agradável perfume
Exala uma simples rosa!
Amizade é o que reúne:
- È jóia, é coisa valiosa!


autora: Nilza Azzi ( foto e dados acima em Primavera em Sampa2 )







Amigos, muitos, nós temos,
nem sempre com A maíusculo...
Melhor ter amor de menos
que amizades minúsculas!





autora: Angela Leite de Souza nasceu e vive em Belo Horizonte, com o marido e os três filhos. Hoje com 50 livros publicados, sua primeira incursão literária foi um poema. E a poética continua sendo sua forma de expressão predileta. O haicai é o gênero que mais tem praticado. Quanto à trova, esta é sua estreia.




Bela palavra a AMIZADE!
Tão gostosa de se ouvir.
Mas, amigos de verdade,
Difícil é conseguir.



autora: Regina Sormani é agudense. Compositora, escreve livros de poesias infantis. Mora na capital, é casada com o ilustrador Marchi e tem dois filhos.
 contato: resormani@gmail.com


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V

QUEM CONTA UM CONTO...

 Saia justa


Meu pai, senhor Hércules Sormani, seu Lano para os amigos em geral, foi, certa vez convidado para um almoço numa fazenda que ficava no distrito de Paulistânia, hoje município, próximo à cidade de Agudos.
E lá foi ele, em companhia de um amigo, dirigindo seu pequeno caminhão pelas estradas de terra. Naquela época, o asfalto ainda não havia chegado por aquelas bandas.
Pra quem não sabe, lá no interior, quem é convidado pelo dono da fazenda para um almoço, pode se preparar pra comer bem...e muito. A mesa é farta, a bebida é de qualidade, a companhia é agradável. A música, lá no fundo é a dos violeiros da região.Todos esses fatores conspiram para que o convidado se empanturre, porque senão corre o risco de aborrecer o anfitrião. Bem, depois de comer e beber, beber e comer, enquanto o companheiro de viagem ficou à mesa, proseando, seu Lano resolveu “esticar as pernas” e anunciou que iria dar um passeio pelas redondezas.
— Não vá muito longe— avisou o fazendeiro— daqui a pouco vamos servir o lanche da tarde!
Seu Lano foi caminhando, admirando a natureza, ouvindo os pássaros e aos poucos  se distanciou da casa da fazenda. O sol do início da tarde queimava  no lombo e ele olhou ao redor procurando onde se abrigar. Viu, a poucos metros uma bela jaqueira já com os  frutos despontando e para lá se dirigiu. Sentia-se sonolento pela caminhada e pelo excesso de comida. Notou que ao redor da árvore havia cinco pedras de formato arredondado, faiscando ao sol.  Debaixo da jaqueira havia uma boa sombra e ele se sentou no chão, encostando-se no tronco da árvore. Fechou os olhos e tirou uma deliciosa soneca. Meia hora depois, despertou, incomodado por um ruído semelhante ao som de um guizo.
— Nossa!  Isso tá parecendo é guizo de cobra cascavel.— falou consigo mesmo,  preocupado. Olhou em volta e percebeu que algumas das tais pedras redondas haviam mudado de lugar, chegando mais perto dele.  Firmando a vista, já livre do sono, viu, claramente, que havia dormido em companhia de cinco cascavéis  Quem sabe, elas também tinham exagerado no almoço e estavam  lá, descansando para fazer a digestão.
Com as pernas trêmulas, seu Lano criou coragem e se levantou, lentamente pra não acordar as cascavéis. Não é preciso dizer que ele chegou, afobado e atordoado à casa do fazendeiro. Bem que tentou contar o acontecido, mas, ninguém quis acreditar e ainda caçoaram dele à moda caipira:
— Conta ôtra, cumpadi! Essa foi demais da conta!


Regina Sormani


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VI


Recantos de Sampa


PARQUE TRIANON


Muito apreciado pelos paulistanos e visitantes, o Parque Trianon (Tenente Siqueira Campos) com uma área de mais de 48.000 m² é uma reserva de mata atlântica, uma verdadeira ilha urbana. Está localizado em frente ao Masp ,na avenida Paulista e chega-se lá de metrô, descendo na estação Masp-Trianon. O parque foi aberto ao público em abril de1892 na época da inauguração da avenida Paulista. O projetista  do parque foi o francês André Villon e o nome Trianon deve-se a um clube que na época existia no espaço que hoje abriga o Masp. Lá, pode-se apreciar árvores magníficas como o cedro, pau-ferro, sapopemba, jatobá, jequitibá e muitas outras. As aves, tais como o sabiá-laranjeira, o joão-de-barro, rolinhas, bem-te-vis, sanhaços, encontram no parque abrigo natural e muito espaço. Para os pequenos frequentadores há um belo playground e para os adultos, é possível fazer caminhadas e utilizar aparelhos de ginástica.






 Caminho

 Coletor
Caminho2

Demarcação de percursos


 Sapucaia
Pau ferro


Play ground
Fauno de Victor Brecheret




(fotos de Gilberto Marchi)


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VII

ARTE
BUSTO DE FRANCISCO MARINS

                                    






Esta obra foi esculpida sob encomenda do escritor Francisco Marins. Gilberto Marchi, executou o trabalho em madeira TIPUANA de cor branco-amarelada, semi-dura. O artista utiliza madeiras que seriam descartadas pela equipe de poda de árvores da prefeitura, respeitando, dessa forma o apelo ecológico da reciclagem natural. Nesse caso, uma galho de madeira de lei que iria parar num lixão qualquer, transforma-se numa obra de arte.


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VIII


Seção retrô - foto

Na bela foto antiga está posando  o escritor Marciano Vasques, aos três anos de idade.


domingo, 12 de junho de 2011

Primavera em Junho - nº2









I- Seção Retrô


O cheiro de quentão e o footing na praça


Rico em datas comemorativas, o mês de junho é um dos mais apreciados pelas crianças que curtem as festas juninas e pelos namorados que festejam no dia 12 a sua data e no 13, dia dedicado a Santo Antônio, o protetor dos noivos, conhecido como santo casamenteiro. Lembro-me com muita alegria, das quermesses montadas, há vários anos atrás, na praça da Igreja de Santo Antônio, na pequenina Agudos, interior do estado de São Paulo. Ao chegar, éramos recepcionados pelo irresistível cheiro do quentão que vinha das tendas montadas ao redor da praça. Meu favorito sempre foi o quentão da Manuela, uma senhora simpática e muito querida pelos agudenses. O quentão, bebida forte, era preparado com gengibre, canela, cravo e adoçado na medida certa. A quermesse de Santo Antônio, caprichosamente enfeitada com bandeirinhas coloridas, atraía uma multidão que se espremia para jogar bingo, praticar a pescaria de brindes nas bacias, comer pipoca quentinha, amendoim torradinho, milho verde, doces caseiros e várias outras delícias. Muita gente ia à quermesse só para apreciar os moleques subindo no pau-de-sebo, um tronco de 4 metros de altura, envolvido com gordura animal. No topo, ficavam as cobiçadas prendas.
Era também, muito divertido receber os correios-elegantes, mensagens amorosas enviadas por admiradores secretos. Recebi muitos, graças a Santo Antônio.
Nas cidades do interior praticava-se o footing. ( ir a pé, passear) Pra quem nunca ouviu falar, eu posso explicar: os rapazes em busca de namorada, nas noites dos finais de semana sentavam-se nos bancos da praça principal, formando grupos para apreciar as garotas que por ali circulavam. As meninas, por sua vez, ao localizar o alvo, o menino dos seus sonhos, sorriam e cochichavam a cada volta na praça. Na quermesse de Santo Antônio, não era diferente. Como o espaço era reduzido, os rapazes formavam duas colunas e no centro desfilavam as garotas, caminhando em círculos. Tudo isso ao som das melodias regionais que invadiam a praça, vindas do serviço de alto-falantes localizado nas dependências da igreja. Ouvia-se, a todo instante:
– Fulano, apaixonado, oferece esta música à sua amada, sicrana. Assim, começava o flerte, um jogo, uma troca de olhares que muitas vezes se transformava em namoro e acabava em casamento, com as bençãos de Santo Antônio, é claro.
Impossível não recordar os festejos de São João, dia 24 e de São Pedro, dia 29, fechando o mês de junho. Nas fazendas, chácaras e até nos quintais das casas, realizava-se a tradicional quadrilha com o casamento caipira, e todo mundo se vestia a caráter. Em Agudos, na Colônia Italiana onde nasceu minha mãe, a festa de São João tornou-se uma referência. Dela participavam todos os tios e primos que lá moravam. A maior atração era o andar sobre as brasas. As brasas da fogueira eram espalhadas num terreno especialmente preparado e um dos meus primos, após fazer uma oração, caminhava tranquilamente sobre as brasas. Ninguém me contou, eu mesma presenciei. Coisas de antigamente, boas pra guardar na lembrança.
Desejo a todos um gostoso mês de junho.
Regina Sormani

II- Contos coletivos
Primavera em Sampa - 2009
(Resumo da parte publicada no Almanaque Primavera em Sampa nº 1)

Claudenir, um jovem engraxate, expulso de casa pela mãe encontrou abrigo numa velha casa abandonada na região do Brás. Solitário, cuidava de Verdinha, uma plantinha, que nascera na rachadura da parede, no lado interno da casa. Seu outro companheiro era um ratinho faminto que morava num buraco da parede. Aquela noite, Claudenir foi dormir com o estômago roncando de fome. Lembrando-se da mãe, adormeceu sorrindo...


Neste número estão sendo publicadas as participações do escritor Manuel Filho que, de forma competente e objetiva preparou o caminho para a conclusão da história e da escritora Regina Sormani que escreveu o final.

(continuação)



Mas, não era sorrindo que ele chegava aos seus sonhos. Esses tinham a péssima mania de trazer de volta o seu passado, lembrando-o das razões que o levaram até aquela vida. Talvez não precisasse dormir numa cama de papelão se não tivesse contado à sua mãe o que vira. Como se arrependia do momento em que abrira a boca. Será que ela, algum dia iria perdoá-lo?
(Manuel Filho)








Pensou em tudo o que acontecera. Lembrou cada detalhe do flagrante que dera no padrasto, naquela noite que voltava da escola e presenciara aquela cena. Na esquina, bem perto do ponto de ônibus, tinha reconhecido o padrasto que, armado, assaltava uma pequena mercearia. Era ele mesmo, o padrasto, Claudenir sabia. Mesmo com um capuz cobrindo o rosto, havia reconhecido a voz ameaçadora.
Muito mais tarde, o padrasto chegou em casa com dinheiro, peças de presunto, queijo e bebidas.
No dia seguinte, Claudenir contou tudo para a mãe. Para sua surpresa, ela não acreditou e depois de uma discussão, colocou o filho na rua.
Foi no meio dessas recordações que o sono chegou e o garoto adormeceu, exausto.Acordou e percebeu que tinha que fazer alguma coisa para mudar aquela situação. Lavou o rosto na água armazenada num balde e com as mãos em concha derramou um pouco do líquido na sua amiga Verdinha, dizendo:
–Até já, menina! Vou ganhar meu dia.
Claudenir apanhou sua caixa de engraxate e saiu para a rua. No meio da quadra havia uma banca de revistas e jornais. Estava passando por ali quando sentiu algo arranhar seu pescoço. Voltou-se assustado e percebeu que que a gola da sua camisa havia se enroscado num galho de árvore. Era o galho de um pé de pata-de-vaca repleto de flores brancas que se debruçava sobre a banca de jornais. Enquanto Claudenir aspirava seu perfume, alguém chamou:
– Menino! Aqui na banca. Venha cá, não se assuste!
– O que o senhor deseja?
– Esse galho agarra todos que passam. Mas, está tão bonito que fiquei com pena de cortar. Epa! Espere aí...você é o Claudenir, estou certo?
Assustado, o garoto concordou:
– Sou...mas, como...
– Calma! acabei de ver sua foto no Sampa News. Sua mãe está te procurando. Seu padrasto foi
denunciado e preso, acharam provas contra ele.
– Nossa! Preciso voltar pra casa! Mas, não tenho dinheiro, estava indo procurar fregueses para engraxar...
– Eu empresto e depois você me paga, combinado?
– Obrigado, moço! Aceito, sim.
Minutos depois, já dentro do ônibus que o levaria pra casa, lembrou-se que nem sabia o nome
daquele novo amigo que o ajudara. Com o nariz apertado contra o vidro da janela, ia olhando, encantado com as flores que via nas praças, nos quintais, colorindo a vida lá fora. Afinal, era primavera na metrópole! Lembrou-se do ipê amarelo, da pata-de-vaca que arranhara seu pescoço e...dela, sua amiga Verdinha, a planta que havia brotado dentro da casa em ruínas. Falou alto:
– Vou voltar lá amanhã! Trarei um vasinho com terra e assim poderei levá-la comigo. E vou passar na banca e acertar as contas com meu amigo. Estou indo para casa! Não vejo a hora de chegar lá e encontrar minha mãe. (Regina Sormani) Reg. BN


(No próximo nº início dos contos coletivos Primavera em Sampa 2010)

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III - Domingo na Paulista

Num passeio pela mais paulista das avenidas, você pode se deparar com pessoas muito interessantes. Um violinista tocando música clássica, ou um saxofonista tocando jazz, jovens dançando street dance com muita habilidade...
No domingo, 12, Dia dos Namorados, o grupo que mais atraía olhares, sem dúvida, era o conjunto folclórico equatoriano SUMAJ. Para ganhar o sustento, apresentam-se vestidos com roupas típicas e fazem parte de uma família: o avô, já idoso, o pai, a esposa, dois filhos e um tio. Todos dançavam e tocavam vários tipos de flautas de bambu confeccionadas por eles mesmos. A maravilhosa sonoridade das melodias vinha da grande variedade e tamanho das flautas Pã, cujo som ia do super agudo a graves profundos.
O grupo tocava músicas de meditação que soavam como a música das montanhas nevadas, mescladas com imitações de vozes de pássaros e animais. Para completar, utilizavam guizos metálicos que marcavam o ritmo durante a dança. Um espetáculo inesquecível!



Flautas de diferentes formatos.


Traje típico para dançar, com guizos, contas e penas
Enquanto o do meio canta os outros dois tocam flautas Pã.



Cenas de dança


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IV - série - Profissão em alta - Passeadores de cães-

No nº1 desta revista introduzimos esse assunto e agora daremos mais informações a respeito dessa curiosa e interessante profissão.
Antônia, moradora da cidade de Itapevi, sai de casa todos os dias de madrugada para chegar em Sampa às 7 da manhã. Ela toma trem e metrô e desembarca, com muita disposição no Paraíso, bairro da zona sul da capital, onde passa dias inteiros passeando com cães de todas as raças e tamanhos. Antônia se declara apaixonada pelo seu trabalho. Os interessados podem contratar passeios para seus bichinhos de estimação com uma hora de duração, de segunda à sexta, ou então, em finais de semana, com preço a combinar. Antônia, em companhia de mais três amigas: Laís, Mila e Camila, formaram uma equipe uniformizada e possuem um site para divulgar seu trabalho.

www.passeadordecaes.net




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V-série- Manias do paulistano - pastel de feira


Feira de domingo. O movimento na barraca de pastel é intenso. Robson me contou que abre às 7 e só consegue fechar às 14 horas. Ele trabalha a cada dia num bairro diferente e que "dá um duro danado", mas, adora o que faz, pois os fregueses elogiam a qualidade da massa e do recheio dos pastéis. Os mais pedidos são: sabor pizza, o sabor palmito e o caseiro, que tem carne, tomate, milho verde e ovos cozidos. Humm! Dá água na boca.


Para que o pastel fique crocante, é necessário que o óleo esteja beeem quente!


Caldo de cana ou coco verde? Duas ótimas opções para acompanhar a degustação dos pastéis.

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VI- Os fios invisíveis do amor
(homenagem aos namorados)

Li, há alguns anos atrás, uma fábula chinesa que contava o seguinte:
Cada pessoa, ao nascer, traz amarrados aos pés, fios invisíveis e muito, muito longos que, durante sua vida devem encontrar seus pares, nos pés de outra pessoa. O destino se encarrega de juntar essas almas gêmeas, de forma, muitas vezes, inusitada. Na fábula, a filha única do imperador se apaixona por um rapaz de família simples e se rebela contra a vontade do pai que pretende casá-la com um príncipe rico e cruel. O rapaz pobre é condenado à morte pela ousadia de se aproximar da princesa e tudo parece perdido para o casal de apaixonados. Porém, na hora da execução, o carrasco percebe que o moço traz no pescoço, um cordão com uma medalha e a entrega ao imperador. Este pedaço da fábula, todo mundo conhece: na verdade, o rapaz é o filho de um nobre e valente amigo do imperador, desaparecido num campo de batalha. A medalha é o documento de identidade do namorado da princesa. Desvendado o mistério, tudo acaba bem. Os fios invisíveis do amor cumprem seu destino. A princesa e seu amado casam-se e vivem felizes para sempre.Deixando de lado a fábula chinesa e as artimanhas do destino, conheço alguns casos que acontecem no dia a dia e que merecem, pelo menos, alguns segundos da nossa atenção. Acompanhei de perto a história a seguir: Osmar estava noivo, de casamento marcado com Patrícia. Lá no íntimo, ele não havia esquecido a Tereza, sua namoradinha de infância, que deixara há anos, no interior do Mato Grosso. Quase às vésperas do matrimônio, Osmar foi à Catedral da Sé para um momento de oração e reflexão. Na hora da saída, a moça que estava à sua frente deixou cair um livro de orações. Osmar apanhou o livro e quando foi entregá-lo, ficou frente a frente com Tereza. A partir daí, a história de Osmar começou a mudar. Sim, ele desfez o compromisso com Patrícia e até hoje está casado com Tereza. Esse reencontro foi obra do destino? Coincidência? Teriam os fios invisíveis do amor se entrelaçado e unido Osmar e Tereza? O importante é que o amor venceu!

Regina Sormani

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VII- série- Bullying


O termo bullying é utilizado para denominar atos de violência física ou psicológica, praticados contra uma criança, jovem ou adulto, de maneira intencional e repetida. Até pouco tempo, a tendência era encarar tal comportamento como brincadeira inofensiva e é no ambiente escolar que essa prática acontece com frequencia, algumas vezes com a conivência dos professores.
O depoimento a seguir é verdadeiro e ilustra o sofrimento pelo qual passa uma vítima do bullying.

N era filha única e seu pai, funcionário de um banco, a cada dois ou três anos era transferido de uma cidade para outra.
Quando ela completou dez anos, a família mudou-se para uma cidade do interior.e ela entrou para a escola mais próxima da sua residência. Foi aí que os problemas começaram a aparecer. N era muito alta para sua idade, sempre colocada no fim ou no início das filas. Na sala de aula ocupava um lugar lá do fundo, pois atrapalhava a visão dos colegas.
Muito tímida, chorou no recreio da escola quando, certo dia, uma colega chamou:
- Ei, você aí, cabo de vassoura!
Aulas de Educação Física eram uma verdadeira tortura. Magrinha, era alvo de bolas que faziam-na perder o equilíbrio.
Pra piorar, a professora, parecia acreditar que aquilo era frescura, que N não se esforçava para gostar de esportes e por várias vezes riu dela quando a menina se atrapalhava com uma bola ou escorregava e caía, tentando correr.
Uma tarde, o circo chegou à cidade. Ainda não existia a proibição de utilização de animais em espetáculos e a grande atração era uma girafa cujo nome era exatamente igual ao de N.
Não demorou e alguém fez a comparação. N passou a ser chamada de menina girafa pelos vizinhos, colegas e até pelos professores. Ao apelido, juntaram-se palavrões e ofensas. Os pais de N foram à escola pedir ajuda, mas a resposta foi: seria pior dar o alarme, pois as crianças iriam se tornar ainda mais agressivas.
N começou a ter pesadelos e deixou de ir à escola. A essa altura, o pai, desesperado, pediu transferência para uma outra cidade, não importando o cargo ou o salário. Foi atendido e meses depois, a família estava novamente de mudança. A mãe, antes de matricular a filha em qualquer escola, fez uma pesquisa minuciosa e escolheu aquela cuja diretora se interessou em ouvi-la e se prontificou a ajudar N em sua adaptação, sugerindo um acompanhamento psicológico. O tempo passou e N, em visita à capital, passeava num shopping com a mãe quando foi abordada por um olheiro, um descobridor de modelos. Foi convidada a fazer alguns testes e começou uma carreira como modelo de passarela.
Esta é uma história real de superação, porém, muitas vezes, a vítima de bullying carrega sequelas pela vida afora.

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VIII - ARTE

Série- Aquarelistas de ontem e de hoje

Winslow Homer
(Old friends)


Winslow Homer (1836-1910) foi um dos maiores pintores da America e também um grande aquarelista. Retratou com maestria cenas do cotidiano de pescadores, caçadores, lenhadores e paisagens em maravilhosas aquarelas, nas quais, as pinceladas correm fluidas e soltas, com muita segurança e espontaneidade.

Comentários de Gilberto Marchi


IX- Aconteceu em Sampa

Quem lucrou com a Parada Gay




Domingo, 26 de junho de 2011, aconteceu a 15ª edição da Parada do Orgulho LGTB, na avenida Paulista, tendo como diva a cantora Preta Gil. Nem a chuva desanimou o pessoal que por ali desfilou, horas a fio, a pé ou nos trios elétricos e carros alegóricos. O tema da Parada foi: Amai-vos uns aos outros e a cobrança da aprovação da lei contra a homofobia. Entretanto, além do espetáculo multicolorido, o que chamava muito a atenção era o intenso movimento do comércio local. Bares, cafés, lanchonetes, restaurantes, lojas de conveniência, estacionamentos, absolutamente lotados, mal conseguindo atender a clientela. Lojas de acessórios, presentes, moda, calçados, mini-shoppings, camelôs, comemoravam 70% a mais de faturamento. Hotéis localizados na região da Paulista e arredores se prepararam para receber os turistas, estimados em 400.000 e tiveram 100% de sua capacidade ocupada nesse feriado prolongado. O turista gay costuma gastar bem com cultura, diversão e compras. Além do comércio paulistano, quem aproveitou a chance para lucrar com a Parada Gay, foram os políticos. Vários deles se manifestaram, entre eles o prefeito, o governador e uma conhecida senadora, que, utilizando-se do momento e da visibilidade, teceram elogios à verdadeira comemoração de cidadania, conforme declararam. Neste ano, segundo os organizadores, a Parada Gay recebeu cerca de 4.000.000 de pessoas, alcançando a marca do 2º evento mais rentável de Sampa, atrás apenas da Fórmula 1.

X- Quadrinhos

Pecezinho

Em terra de cego