terça-feira, 16 de agosto de 2011

Primavera em Agosto nº 4

I- Final dos contos coletivos PRIMAVERA EM SAMPA 2010





Queridos leitores!

Aí vão os últimos trechos dos contos coletivos  Primavera em Sampa, escritos na lista regional da AEILIJ, durante o ano de 2010. Participaram os escritores: Regina Sormani, Eliana Martins,Simone Pedersen e Marciano Vasques

Um forte abraço,

Regina Sormani


                                                     Marciano      Simone              Regina                 Eliana



A menina, exausta e faminta, parou ao lado de uma barraquinha de frutas. O dono da barraca estava cortando fatias de abacaxi que oferecia aos gritos aos fregueses. Observando a menina estática, os olhos devorando as fatias da fruta ali expostas, começou a berrar:
— Passa fora, magrela! Eu já te conheço. É só a gente descuidar e ela pega qualquer coisa e foge. É uma malandrinha...
Um rapaz moreno, baixinho e forte, que passava carregando uma cesta de flores, na qual transbordavam palmas e copos de leite, vendo a cena, resolveu se intrometer falando bem alto:
— O que é isso tio? Ela só está com fome. Precisa comer alguma coisa, senão vai cair de fraqueza.
— É mesmo?— respondeu o homem, enfezado—Não sou pai dela. Que se vire!
Dê você a comida pra ela.
O rapaz colocou a cesta de flores no chão. Nela havia um logotipo: DISTRIBUIDORA DE FLORES PRIMAVERA. Em seguida, pegou algumas moedas no bolso traseiro da surrada calça jeans e perguntou ao dono da barraca:
— Quanto é o pedaço?
— Um real.
— Quero dois. Um pra mim e outro pra ela.
A garota, olhos arregalados, foi se aproximando, mal acreditando naquilo e com um salto, apanhou a fatia de abacaxi das mãos sujas do vendedor de frutas. Mordeu, sugando o caldo melado e, num instante, já havia devorado a fatia toda. Ainda faminta, espiou a fatia que estava na mão do rapaz moreno. Ele sorriu e ofereceu a fatia de abacaxi à menina, perguntando:
— Qual é seu nome, menina?
— É Jú. Julieta, o nome da minha avó que morreu. Ela também vendia flores, como você.
A fatia de abacaxi tremeu e quase despencou da mão do rapaz. Depressa, a menina agarrou a fruta, com medo que ele se arrependesse da oferta.
— E o seu?— ela perguntou— o caldo escorrendo pelos cantos da boca.
O rapaz olhou a garota, desta vez mais atentamente, analisando cada detalhe do rostinho sujo. Sua expressão era de espanto. Depois de alguns segundos, falou, meio que sufocado, a voz saindo aos solavancos:
— Ju, vamos sair daqui deste lugar. Tem muita gente. Olha, vou apanhar a cesta com as flores e a gente vai sentar no banco de uma pracinha que fica logo ali. Vamos conversar um pouco, tá bem?
— Mas, você não me disse seu nome...
Pegando a garota pela mão, de um jeito decidido, ele respondeu:
— Você já vai saber! .
Na verdade, a história da menina Julieta já estava ligada à história do rapaz moreno e forte e havia começado há alguns anos atrás... (Regina Sormani)
Era setembro. A primavera chegava esbanjando colorido, na cidade de São Paulo.
Enganado estava aquele que achava a cidade cinzenta.
Dona Julieta veio cedo para a praça. Queria ser a primeira a oferecer flores aos que transitassem por lá. Há muitos anos, vendia naquele lugar; mas era primavera e o ânimo das pessoas parecia aumentar. Chegava todas as manhãs, carregada de maços de flores e com a cesta pendurada ao ombro. Tinha seu lugar marcado. Quer pela idade, ou pela simpatia, os outros ambulantes respeitavam.
— Tudo bem, dona Juli. Cadê o Tonico?
— Tonico não veio, hoje. Tem prova, na escola — ela respondeu, toda orgulhosa do filho.
Julieta esperara a maternidade, por muito tempo. Já estava desistindo, e aí, engravidou do menino. Quando ele nasceu, foi uma festa, no quintal cheio de casinholas, onde morava. De tanta gratidão a Deus, deu-lhe o nome de Antonio Bento dos Anjos.
Tonico, como se tornou conhecido, estava agora com 16 anos. Nem feio, nem bonito, era forte e esperto. Mas, para desgosto da mãe, que o queria um doutor, não gostava de estudar. De vez em quando, cabulava aula e ia para a praça se juntar a ela.
Mas dona Juli insistia. O futuro do filho ia ser diferente do seu. Ele não gostava da escola, mas ia se acostumar. Era jovem. Quando virasse adulto, tomava gosto.
Foi numa dessas aparições de surpresa, na praça, que Tonico cruzou com Vera.
Estudante, ela costumava tomar o ônibus, bem em frente ao lugar onde dona Juli vendia flores. Nunca haviam se encontrado, pois quando Tonico aparecia por lá, eram sempre dez ou onze da manhã. Mas, naquele dia havia decidido não ir à aula.
— Não dou pra isso, não, mãe — ele havia dito. — Não entra nada na minha cabeça.
— Olhe meu filho, gente sem estudo não chega a lugar nenhum. Se eu tivesse
estudado, não tava vendendo flor na praça. Podia dar uma vida melhor pra você — tinha dito a mãe. Mas como mãe é mãe, deixou Tonico faltar, levando-o com ela. Vera ficou olhando para Tonico, da janela do ônibus, até ele virar a esquina. Por que o rapaz teria chamado sua atenção? Ele também se perguntou o mesmo. Tinha tanta garota na sua escola, na sua rua! Até no quintal, onde morava, tinha umas bonitinhas. Mas aquela...
Se já não gostava da escola, agora Tonico tinha um motivo maior para não ir. Queria, precisava rever a garota do ponto do ônibus. Dias depois, o encontro aconteceu.
Dona Juli, ali do ponto onde vendia flores viu aquela paixão aumentar, dia-a-dia. Uma paixão fulminante. Em princípio, ficou preocupada, depois achou que talvez a garota pudesse ajudar Tonico a ser melhor estudante. Mas, foi o contrário que aconteceu. Vera passou a faltar às aulas para se encontrar com o rapaz. E o que dona Juli mais temia, aconteceu: Vera engravidou. Meses depois, ao dar à luz a uma menina, a história de amor de Tonico e Vera terminou. Ela faleceu, logo após o parto. Alucinado, Tonico saiu de casa, sem dar notícias, e não voltou mais. Dona Juli começava outra parte de sua vida; a de criar a neta.
Mais de dez anos se passaram e agora, ali estavam os dois, pai e filha, num banco de praça, frente a frente. (Eliana Martins)
Ele não estava preparado para esse encontro, mas, sentiu um aperto no coração, algo diferente de tudo que havia experimentado. Aquela menina, uma criança ainda, parecia um esboço da mãe, as mesmas sobrancelhas grossas, olhos verdes e nariz arrebitado. Talvez ele pudesse recomeçar, assumir o papel de pai, agora, que já não era tão inconsequente. Quando contou à menina quem realmente era, entre suspiros e longas pausas, não imaginava a reação que veio como um ciclone que surge do nada.
Completamente irada, ela gritava enquanto o atacava com chutes e tapas.
Palavras entravam em sua alma sem pedir licença, acusando-o de egoísta, assassino, de vagabundo, até. Onde estava ele quando ela precisou, quando ficou doente, quando havia reuniões na creche ou quando o dinheiro não dava nem para um pedaço de pão com manteiga? Se divertindo, curtindo a vida de solteiro... e ela limpando a casa para a avó trabalhar enquanto tinha saúde . E ela, uma menina, fazia mercado, trabalhava de babá para as vizinhas. Agora, que a avó estava morta, ele não podia querer simplesmente mudar a vida dela, que estava definida. e Julieta não tinha a menor intenção de cuidar de um pai também.
Ela correu feito louca, esbarrando em pedestres e permitindo que as lágrimas molhassem sua boca, enquanto ele ficou parado, com as mãos cobrindo os olhos secos de tanta dor. (Simone Pedersen)
Julieta vagou sem rumo pela cidade, o ocaso já estendia seu manto sereno. As primeiras luzes acenavam num acanhado lilás, ela desceu a Ladeira da Memória, caminhou pela calçada da Nove de Julho, parou na Praça 14 Bis, subiu a Barata Ribeiro, entrou na Adma Jafet, retornou, pegou a Penaforte Mendes, a Herculano de Freitas...
Estava na Bela Vista.
Ninguém repara na solidão de uma menina que passa ao léu. Cansada, nem se deu conta de que estava numa estação do Metrô. Seu coração inchado, seus olhos desabotoados nas lágrimas, escorrendo nos mistérios das coisas que passam. O que faria? Sim, voltaria para a Avenida Tiquatira, lá é o seu lugar. Não, não existe um lugar. Decide que caminhará na Avenida Paulista. Sorri um sorriso manso diante de uma vitrine. Uma canção flutua. Luiz Melodia: "Lava Roupa todo dia, que agonia...".
Aquela imagem não sai da sua mente, dos seus olhos, do seu tórax. Ele parado diante dela, diante da nervura, da explosão, do ciclone. O pai com as mãos cobrindo os olhos, os olhos secos de tanta dor, onde estaria o oceano de lágrimas? Quem é ela para julgar o tamanho da dor? Ergueu os olhos para o alto, o azul ainda permanecia feito um fiapo de nódoas, mesclado ao tímido lilás, os prédios, alguém falando ao celular, a vida passando com toda a sua generosidade, toda a sua grandeza, numa explosão sincera, ela, a vida, vida, vida...
Sim, uma menina é imensa, e o seu coração transformado num espantalho repleto de luzes que despencam, tomou uma decisão. Voltaria para lá, onde ele ficou. O coração saltitando. Não importa o tempo que gastaria. Ela estaria lá, e de frente para ele, naquela praça. "DISTRIBUIDORA DE FLORES PRIMAVERA". Lembrou de ter lido isso. Como vultos pincelados numa aquarela triste, as lembranças vieram. E ela só tinha uma vontade, e por isso seus passos eram cada vez mais rápidos.
Sampa é assim, misteriosa. Você está na Avenida Paulista e quando se dá conta está na Barão de Itapetininga, e lá estava ela, no velho calçadão Sorriu um sorriso frágil, amedrontou-se pelo tempo implacável. Já anoitecera. Num instante estava na praça. E agora? Sozinha, um espinho espetando seu coração. Então, ele surgiu. Dizendo algo assim:
— Quer?
Ora, um churro, ele chegou com um churro.
— Quero! - responde a pequena, e logo estava com a mão trêmula levando o doce à boca.
A vida pode ser doce como os churros.
Eles se olharam.
Ela balbuciou alguma coisa.
— O que disse? Não ouvi direito.
— Pai...
Os dois se abraçam profundamente. O perdão é imensurável.
Na Líbero Badaró, na Xavier de Toledo, na Avenida Ipiranga, alguma coisa acontece. A noite desce seu manto feito poesia de Rimbaud.
E naquela praça, a primavera explode nas cores que os olhos apressados não conseguem ver. (Marciano Vasques)                       (Reg. BN)



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II- Série Cidades - Vinhedo- SP

Vinhedo: um pedaço da Itália


Simone Pedersen ( escritora associada da AEILIJ regional SP)


Nessas frias manhãs outonais, tenho me recordado muito de Vila Opicina. A semelhança com esse povoado italiano vai além das parreiras nuas e altivas dessa época do ano, que avisto nas plantações vinhedenses logo que o dia acorda. Pessoas vestidas com casacos, luvas e cachecóis marcham rapidamente com suas botas invernais, entrando nos empórios que cheiram a café quente. Carros apressados como formigas atarefadas, que depois do horário do rush matutino, desaparecem das ruas e permitem que a atmosfera de cidade tranquila retorne a esse agradável cantinho do mundo, onde ainda vivemos dias de passado.

Eu escolhi essa cidade pela sua semelhança com a linda paisagem onde vivi minha história durante dois anos.  Un piccolo paese, onde o outono é verde e frio como o daqui, salpicado de manacás e outras raras flores que insistem em colorir nossos dias sem calor, destacando-se a leve camada de gelo que a noite cobre sobre a natureza e as coisas, como se fosse um fino lençol de seda, para depois chegar o sol que aquece nossas tardes e esquenta nossas almas.

Opicina fica no alto de uma montanha. Daí começam as dessemelhanças com nosso interior paulista. A descida para a portuária Trieste, com suas cinzas do Império Romano, é feita de carro ou trem, beirando precipícios e com vista para o esplendoroso Castelo de Miramare e suas espécies botânicas colhidas ao redor do mundo pelo austríaco Almirante Maximiliano, que o mandou construir em 1856, e até hoje rasga a paisagem marítima com sua imponência. Trieste sofre o colapso do trânsito, e os sintomas são os famosos estacionamentos em fila dupla, em frente a prédios que não foram projetados para usuários de automóveis. A esses edifícios – sempre de poucos andares – foi adicionado um elevador com o passar dos anos (um modelo de mínimas dimensões, para caber no que antigamente era um suntuoso e espaçoso hall).

Lembro-me do Vento de Bora, misterioso e frio, atravessando o Mar Adriático, invadindo o golfo na época de neve e gelo. Andar nessas épocas é um exercício de resistência. Por vezes, faz-se necessário colocar cordas amarradas nas fachadas para que as pessoas consigam vencer a força do oponente invisível.

Trieste vive a mistura dos povos esloveno, croata e italiano, assim como nós vivemos com tantos povos. Ainda hoje, degustamos a miscigenação com italianos, não somente nas taças de vinho, mas em nossa cultura bordada por esse povo que atravessou mares, superou guerras e veio semear nosso solo com a cor da uva e nossos corações com exemplos cor de ouro. 


 Hopi Hari

Represa


Portal da cidade

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III-  Trovas e Trovadores


Olá, pessoal!
No Almanaque 3, os trovadores celebraram a AMIZADE. O tema de hoje é:

LITERATURA


No céu da Literatura,
uma estrela – a poesia!
Põe-me luz, à noite escura,
e me aquece a alma fria.
(Nilza Azzi)


Ao encontrar no caminho,
Gente numa vida dura,
Eu não estava sozinho,
Gerando literatura.

(Marciano Vasques)


Nem só de belas palavras
vive a literatura.
Depende de quem a lavra
e de quem faz a leitura.
(Angela Leite de Souza)




Na FELIT encontramos:
o acesso à LITERATURA,
autores a quem amamos
e deliciosa leitura.
( Regina Sormani)





(As fotos e informações sobre os trovadores acima estão no Almanaque nº3)
Um novo trovador juntou-se ao grupo.



Marco Haurélio é editor, poeta (cordelista)  e pesquisador  da cultura popular brasileira. Nasceu em Riacho de Santana, no sertão baiano, e tem vários livros publicados. O mais recente é Contos e fábulas do Brasil (Nova Alexandria).


Percorri muitas estradas
De drama, humor e aventura
Pelas páginas douradas
Da nossa literatura.
(Marco Haurélio)

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IV - QUADRINHOS

Pecezinho- O pequeno corrupto
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V-Boa Música

Sara Brightman e Andrea Bocelli



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VI- Seção Retrô - Foto



Foto da escritora Simone Pedersen aos 7 anos.  Que gatinha!!

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VII - O PAVILHÃO VERA CRUZ E A FELIT


  • A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, fundada em 1949, foi a mais importante tentativa de se estabelecer no Brasil uma produção de cinema em bases industriais. A recuperação dos estúdios da Vera Cruz é, ao lado do Programa de Integração Cinema e TV, um dos eixos básicos da política do Governo do Estado de São Paulo para a área cinematográfica. Desenvolvido pela Secretaria de Estado da Cultura, a Fundação Padre Anchieta - TV Cultura - e a Prefeitura de São Bernardo do Campo, o Projeto Nova Vera Cruz pretende, em primeiro lugar, recuperar a memória da Companhia por meio da aquisição e recuperação do acervo fílmico e iconográfico, da realização de estudos e pesquisas, da edição de livros e CD-ROMs e da produção de documentários. O segundo objetivo estratégico do projeto é revitalizar os estúdios e, dessa forma, recuperar a essência de sua proposta original: fazer cinema em escala industrial.
  • Mesmo depois da desativação dos estúdios, a marca Vera Cruz permanece viva. Filmes como O Cangaceiro, Sinhá Moça, Floradas na Serra, Tico-Tico no Fubá, Apassionata e tantos outros tornaram-se referências básicas da história do cinema brasileiro. As produções da Vera Cruz tiveram grande êxito de público e crítica e muitas delas receberam prêmios internacionais. A Companhia propiciou ainda um grande avanço técnico e contribuiu decisivamente para a modernização de nosso cinema nos campos da fotografia, da sonorização, da cenografia, da montagem, das técnicas de laboratório e do acabamento em geral.
  • o que se refere à preservação da memória do cinema nacional, o projeto pretende promover a aquisição do acervo de filmes da Companhia Vera Cruz, uma coleção de caráter absolutamente único no cenário cinematográfico brasileiro. Também será reunido todo o material iconográfico - fotos, cartazes, roteiros, documentos - referentes à história da Vera Cruz e de seus protagonistas.
  • De olhos voltados para o futuro, o Projeto Nova Vera Cruz visa dotar a atividade cinematográfica de infra-estrutura tecnológica contemporânea por meio de parcerias entre a TV Cultura e a iniciativa privada. O Programa de Integração Cinema e TV, atualmente com uma carteira de 35 filmes em diferentes estágios de produção, é uma garantia de utilização contínua dos estúdios. A Nova Vera Cruz, portanto, nascerá com evidentes perspectivas de autonomia, uma vez que a produção em escala exigirá dos estúdios, equipamentos, atualização e formação de mão-de-obra. ( texto extraído do livro "O cinema em São Paulo," da Secretaria de estado da cultura do governo de SP e da Fundação Padre Anchieta)

                                                                              A 1ª FELIT

    Entre os dias 01 a 14 de agosto de 2011, a prefeitura de São Bernardo do Campo realizou, no Pavilhão Vera Cruz, a 1ª feira literária, a Felit, idealizada pela Secretaria  da Educação, em parceria com a FNLIJ.
    Lá estivemos dia 13 de agosto, sábado e conversamos com o pessoal que trabalhou nos stands. Todos elogiaram o espaço ocupado pela Felit no Pavilhão Vera Cruz e manifestaram o desejo de que no futuro, mais leitores possam participar dessa verdadeira festa da literatura.

Stand AEILIJ na Felit



Jornalista João Luiz Marques, Regina Sormani, Marciano Vasques e pequena leitora


Escritor Marciano Vasques conversando com convidados




 


Escritora Regina Sormani no stand Paulinas


Regina e o jornalista João Luiz


Conversa com a Neusa Peres assessora da Noovha América


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VIII-   QUE FAZER NO DOMINGO?


Muita gente se pergunta: - é domingo, e agora?
A melhor opção é sempre sair da rotina. Muitas vezes, o que faz bem à alma, não é dormir a tarde inteira ou se empanturrar de comida. Minha sugestão é tentar fazer diferente. O auditório Ibirapuera oferece, todos os domingos uma programação variada e interessante. Dia 21, às19 hs, acontece no auditório Ibirapuera o" Paraíba puxa o fole"com Oswaldinho do acordeon. E pela manhã, acontece a 9ª corrida Troféu Duque de Caxias em vias próximas ao Parque do Ibirapuera.
BOM PASSEIO!!

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IX - VITRINE VIRTUAL






SOBRE ALGAZARRA DAS LETRAS


As letras, as rimas e os sons das palavras brincam o tempo todo de enganar os sentidos de quem ouve ou lê. Por quê? Ora, se uma letra foge da feira, a sexta-feira vira sexta-feia. E se as vogais resolvem trocar de lugar, então, que confusão: é maluco, é maloca, é meleca, é moqueca, nossa, que mico! Isso tudo acontece no livro ALGAZARRA DAS LETRAS, que eu tive o prazer de estar no lançamento, dia 13 de agosto, na FELIT, em São Bernardo.
Algazarra das Letras segue no leque aberto por Marciano Vasques, com o livro Letras Sapecas (Paulinas), curiosamente lançado também num mês de agosto, no ano passado, na Bienal do Livro. As letras brincam, saltitam, mudam de sílabas e armam uma confusão imensa, uma verdadeira algazarra.
A beleza do livro me cativou pela capa, na generosidade das cores, e na algazarra que o ilustrador espalhou por ali.
Com Marciano Vasques circulei pela FELIT e encontramos bons amigos. Mas desse livro eu gostei muito. Pude reparar ao ler o primeiro poema, que ele incentiva a criançada a brincar com o prazer da leitura e ao mesmo tempo criar as suas próprias algazarras, afinal, as letras estão aí, saltitantes, cada qual mais serelepe, sapecando o tempo todo. Composto por doze poemas, o livro vai logo avisando: Tem letra no balaio, e também na palma da minha mão. Agora, vá tentar uma ceia após ler esse livro, nem tente! Simplesmente porque está TRUDO TOCADO.
Com ilustração de João Pinheiro, e um esmerado projeto gráfico, ALGAZARRA DAS LETRAS veio para ficar. E eu adorei. O lançamento é da Editora Best Book.


Boa leitura e divirtam-se!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Primavera em Julho nº 3



Queridos leitores!
Nosso Almanaque, em julho, continua florido.
Neste número, vamos inaugurar as postagens dos CONTOS COLETIVOS PRIMAVERA EM SAMPA, ano de 2010, escritos pelos associados da AEILIJ regional de São Paulo. Os trechos a seguir são de autoria de Marciano Vasques e Nilza Azzi.
Um grande abraço a todos,
Regina Sormani



I-
PRIMAVERA EM SAMPA - 2 - 2010
— Nas pernas dói mais!—dizia a mulher enquanto batia com a espada de São Jorge no menino. Os comentários percorreram a favela num impressionante feixe de vozes: “A comadre fulana de tal está batendo outra vez no menino Zica". À tarde se estendia muito além. Passava pelo "MC Favela", a casa de almoço, lanches e marmitex da Dona Preta, a mulher mais respeitada do lugar: uma loura que começou a vender comida caseira e lanches desde a morte do marido. Quem se atreveu a seguir aquela tarde ficou abismado com a sinceridade da primavera que feito trepadeira de sonhares, risos e prantos alagados e mastigados de meninas sem amparo, atingiu os paralelepípedos das ladeiras da Penha. Na escassez de flores grudou nas pessoas com tal insistência, que muitos até se esqueceram de suas dores. Entre pipas adornando os azuis, uma menina caminhou sem rumo e adentrou a tarde. Subiu a "Rua das Noivas", desceu a Padre Olivetanos, e vagou sem rumo, ornando com a sua passagem as ruas da Vila Esperança. Sem que alguém pudesse ter olhos de reparar, a pequena seguiu em frente, às vezes parava alguém e fazia perguntas desconexas, tipo: "Você sabe onde está a poesia?”, depois corria na gargalhada. Fez assim com um vendedor de churros. Uma menina é sempre uma menina. O ser mais puro, assim falou alguém. Mas a menina sobre a qual falamos tem alguns segredos. Sua idade? Poderíamos dar uns doze anos. Veja que ela está no metrô, em direção à cidade. Em pouco tempo vaga na plataforma da estação Anhangabaú. Segue um trecho da Xavier de Toledo e em poucos minutos está sentada na escada do Theatro Municipal...(Marciano Vasques).
Alguns sons escapavam pelos vãos dos vidros e das portas, pelas juntas rente ao piso. Eram algumas notas teimosas e rebeldes que não queriam esperar pelo dia da estreia. Dançaram ao redor daqueles doze anos com esperança de, quem sabe, achar a passagem de entrada até seu coração. Se conseguiram só o tempo irá dizer...
Embebida daqueles sonhos, um instante indecisa, toma a direção da Praça da Sé onde algumas espécies já florescem sem pedir licença e nem sabem dos olhares dos passantes, mas recebem um sorriso de meninas gentis. Naquele mundo, o colorido do sonho artificial toma conta de seus olhos. Por entre as barracas de camelôs e as árvores de cimento, indiferentes ao que cresce aos seus pés, segue na direção da 25 de Março.
Gruda os olhos nas vitrines, enche os ouvidos de gritos, perde-se na infinidade de apelos. Experimenta uma coisa aqui outra ali, mas logo é olhada com desconfiança.
— Vai levar?
Só então percebe que tem fome. (Nilza Azzi).



(continua no próximo número) Reg, BN

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Nilza Aparecida Hoehne Rigo nasceu em São Paulo, SP. Atualmente reside em Campinas. Assina seus trabalhos como Nilza Azzi. É graduada em Letras pela USP. Educadora, escritora e poeta participou de várias antologias da Editora Komedi e das antologias Universo Paulistano da Editora Andross, Quinze Poetas Para Todas as Crianças da Editora Novitas, Letras Letrinhas e Letronas da Editora Edicon e Balões Coloridos da Via literária Editora. Faz parte do quadro de associados da AEILIJ desde 2010. É membro da Academia Campineira de Letras e Artes, onde ocupa a cadeira de número trinta e dois, de João Gurgel Jr. Publicações recentes: Tempo-Será – 2008; Amigos do Sol e da Lua – 2009; Gato Pipoca – 2010; O banho da Terra – 2011. Contato com a autora:nilzaazzi@gmail.com




Autor de 27 livros, Marciano Vasques escreve crônicas em jornais, realiza oficinas para professores, e divulga poetas e escritores. Fundou a revista PALAVRA FIANDEIRA, e o blog “Casa Azul da Literatura”. Seu mais recente livro é “Contos de Éramos". Contato: marcianovasques@gmail.com


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II
Série - CIDADES


Aniversário de Agudos, um lugar para se viver.
Agudos, pequena e simpática cidade do interior do estado de São Paulo, a 320 km da capital, fica próxima de Bauru e Lençóis Paulista e completa 113 anos no dia 27 de julho.

O Bairro São Paulo dos Agudos foi elevado à categoria de freguesia em 1897 e pela lei 543, de 27 de julho de 1898 foi elevado à vila. Em dezembro de 1905, o nome da cidade foi simplificado para Agudos.
O jovem prefeito de Agudos tem 25 anos e chama-se Everton Octaviani. A cidade tem cerca de 35 mil habitantes, agradável clima serrano, matas, cachoeiras, destacando-se dia a dia no segmento do turismo ecológico. Quem visita Agudos se surpreende com a beleza das antigas fazendas de café e dos prédios históricos. A cidade é forte no turismo rural. Uma dica é conhecer a fazenda São Benedito fazenda HU, fazenda Serrana, ou fazer uma pescaria no pesqueiro Peixe Loko. Um destaque, sem dúvida, é o Seminário franciscano Santo Antônio, orgulho dos agudenses. A cidade é hospitaleira e possui  bons hotéis. O restaurante do Agudos Palace Hotel oferece refeições gostosas, a preço justo. Vale dar uma chegada no Quero Quero ou na Pizzaria Cheiro Verde como também experimentar as delícias do Paladar Pastel. Em Agudos, as empresas empregadoras são a Duratex e a Duraflora (madeira) e a Ambev (cerveja)
São cidadãos agudenses: o cantor lírico Carmo Barbosa, barítono de projeção internacional (veja e ouça no vídeo abaixo) e a escritora Regina Sormani. Carmo e Regina são primos, filhos das irmãs Hilda e Marina, da família Andreotti.
Parabéns, Agudos!

Brasão
Bandeira

Prefeitura
Prefeito


Seminário

Antiga estação Sorocabana

Cinema
AMBEV




Carmo Barbosa- barítono


(Matéria enviada por Thelma Travaini)


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III

História 

Rospo e a chuva


Rospo está na casa da amiga Sapabela quando a chuva começa.
— Vou fazer pipoca e assistir à televisão.
—Boa idéia, Bela!
—Que entusiasmo é esse, Rospo? E o seu compromisso? Pipoca e tevê só pra mim, que não tenho nada na agenda.
—Por acaso já olhou lá fora, amiga?
— Sim, está chovendo. E daí?
— Você quer que eu saia na chuva?
—Eu não. O seu compromisso é quem quer. Aproveito para ensinar uma coisa...
—Pronto. Filosofia em dia chuvoso.
—A chuva organiza o sucesso. Ela e o frio são os responsáveis e às vezes até determinam o êxito na vida de alguém.
—Clima e sucesso. Só você, Sapabela.
—Verdade! Alguém que não cumpre um compromisso por causa da chuva e adia uma decisão, não será vitorioso completo.
—Está bem. Mas, você não pode me dar pelo menos um pouco de pipoca?
—Aceita primeiro um guarda-chuva?

texto: Marciano Vasques
ilustração: Daniela Vasques


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IV

Trovas  e Trovadores


Esta seção pretende ser um veículo para a divulgação da arte  de fazer trovas e dos trovadores iniciantes. Define-se trova como um poema de quatro versos setessilábicos, com rima e sentido completo, contadas pelo som. O primeiro verso deverá rimar com o terceiro e o segundo deverá rimar com o quarto.  A ideia do criador da trova deve estar contida nesses quatro versos. A palavra trovismo foi criada pelo poeta J G de Araújo Jorge e o escritor Eno Teodoro Wanke publicou o livro TROVISMO, onde narra o desenrolar do movimento a partir de 1950. Em 1980, Clério José Borges criou o Clube dos Trovadores Capixabas. Em São Paulo, Domitilla Beltrame é a presidente estadual da União Brasileira dos Trovadores.

Trovas com o tema AMIZADE criadas por associados da AEILIJ


Leal,verdadeira, pura
Procurei nesses caminhos.
Da nossa literatura
Amizade, não espinhos.


autor: Marciano Vasques ( foto e dados acima em Primavera em Sampa2)




Quão agradável perfume
Exala uma simples rosa!
Amizade é o que reúne:
- È jóia, é coisa valiosa!


autora: Nilza Azzi ( foto e dados acima em Primavera em Sampa2 )







Amigos, muitos, nós temos,
nem sempre com A maíusculo...
Melhor ter amor de menos
que amizades minúsculas!





autora: Angela Leite de Souza nasceu e vive em Belo Horizonte, com o marido e os três filhos. Hoje com 50 livros publicados, sua primeira incursão literária foi um poema. E a poética continua sendo sua forma de expressão predileta. O haicai é o gênero que mais tem praticado. Quanto à trova, esta é sua estreia.




Bela palavra a AMIZADE!
Tão gostosa de se ouvir.
Mas, amigos de verdade,
Difícil é conseguir.



autora: Regina Sormani é agudense. Compositora, escreve livros de poesias infantis. Mora na capital, é casada com o ilustrador Marchi e tem dois filhos.
 contato: resormani@gmail.com


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V

QUEM CONTA UM CONTO...

 Saia justa


Meu pai, senhor Hércules Sormani, seu Lano para os amigos em geral, foi, certa vez convidado para um almoço numa fazenda que ficava no distrito de Paulistânia, hoje município, próximo à cidade de Agudos.
E lá foi ele, em companhia de um amigo, dirigindo seu pequeno caminhão pelas estradas de terra. Naquela época, o asfalto ainda não havia chegado por aquelas bandas.
Pra quem não sabe, lá no interior, quem é convidado pelo dono da fazenda para um almoço, pode se preparar pra comer bem...e muito. A mesa é farta, a bebida é de qualidade, a companhia é agradável. A música, lá no fundo é a dos violeiros da região.Todos esses fatores conspiram para que o convidado se empanturre, porque senão corre o risco de aborrecer o anfitrião. Bem, depois de comer e beber, beber e comer, enquanto o companheiro de viagem ficou à mesa, proseando, seu Lano resolveu “esticar as pernas” e anunciou que iria dar um passeio pelas redondezas.
— Não vá muito longe— avisou o fazendeiro— daqui a pouco vamos servir o lanche da tarde!
Seu Lano foi caminhando, admirando a natureza, ouvindo os pássaros e aos poucos  se distanciou da casa da fazenda. O sol do início da tarde queimava  no lombo e ele olhou ao redor procurando onde se abrigar. Viu, a poucos metros uma bela jaqueira já com os  frutos despontando e para lá se dirigiu. Sentia-se sonolento pela caminhada e pelo excesso de comida. Notou que ao redor da árvore havia cinco pedras de formato arredondado, faiscando ao sol.  Debaixo da jaqueira havia uma boa sombra e ele se sentou no chão, encostando-se no tronco da árvore. Fechou os olhos e tirou uma deliciosa soneca. Meia hora depois, despertou, incomodado por um ruído semelhante ao som de um guizo.
— Nossa!  Isso tá parecendo é guizo de cobra cascavel.— falou consigo mesmo,  preocupado. Olhou em volta e percebeu que algumas das tais pedras redondas haviam mudado de lugar, chegando mais perto dele.  Firmando a vista, já livre do sono, viu, claramente, que havia dormido em companhia de cinco cascavéis  Quem sabe, elas também tinham exagerado no almoço e estavam  lá, descansando para fazer a digestão.
Com as pernas trêmulas, seu Lano criou coragem e se levantou, lentamente pra não acordar as cascavéis. Não é preciso dizer que ele chegou, afobado e atordoado à casa do fazendeiro. Bem que tentou contar o acontecido, mas, ninguém quis acreditar e ainda caçoaram dele à moda caipira:
— Conta ôtra, cumpadi! Essa foi demais da conta!


Regina Sormani


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VI


Recantos de Sampa


PARQUE TRIANON


Muito apreciado pelos paulistanos e visitantes, o Parque Trianon (Tenente Siqueira Campos) com uma área de mais de 48.000 m² é uma reserva de mata atlântica, uma verdadeira ilha urbana. Está localizado em frente ao Masp ,na avenida Paulista e chega-se lá de metrô, descendo na estação Masp-Trianon. O parque foi aberto ao público em abril de1892 na época da inauguração da avenida Paulista. O projetista  do parque foi o francês André Villon e o nome Trianon deve-se a um clube que na época existia no espaço que hoje abriga o Masp. Lá, pode-se apreciar árvores magníficas como o cedro, pau-ferro, sapopemba, jatobá, jequitibá e muitas outras. As aves, tais como o sabiá-laranjeira, o joão-de-barro, rolinhas, bem-te-vis, sanhaços, encontram no parque abrigo natural e muito espaço. Para os pequenos frequentadores há um belo playground e para os adultos, é possível fazer caminhadas e utilizar aparelhos de ginástica.






 Caminho

 Coletor
Caminho2

Demarcação de percursos


 Sapucaia
Pau ferro


Play ground
Fauno de Victor Brecheret




(fotos de Gilberto Marchi)


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VII

ARTE
BUSTO DE FRANCISCO MARINS

                                    






Esta obra foi esculpida sob encomenda do escritor Francisco Marins. Gilberto Marchi, executou o trabalho em madeira TIPUANA de cor branco-amarelada, semi-dura. O artista utiliza madeiras que seriam descartadas pela equipe de poda de árvores da prefeitura, respeitando, dessa forma o apelo ecológico da reciclagem natural. Nesse caso, uma galho de madeira de lei que iria parar num lixão qualquer, transforma-se numa obra de arte.


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VIII


Seção retrô - foto

Na bela foto antiga está posando  o escritor Marciano Vasques, aos três anos de idade.